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QUINTA-ESSÊNCIA
Romance de Agustina Bessa Luís
Traduzido e editado por Jorge Braga
Edições Ørby
Copenhaga, Setembro de 2007
Crítica de
Casper Andreas Jensen
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O romance
A Quinta Essência, da escritora portuguesa Agustina
Bessa-Luís - editado em Lisboa no ano 2000 - saiu finalmente
em dinamarquês. O enredo ramifica-se como de costume pelo
mundo inteiro com ponto de partida em Portugal, cativando-nos pelo
universo chinês e pela sua História, que eminentemente
nos é contada com garra e prazer. Absolutamente um livro
de que só se pode gostar!
Talvez
não sejam muitos os leitores dinamarqueses familiares com
a obra de Bessa-Luís. Quando por estas paragens se fala de
literatura portuguesa, a conversa começa e acaba normalmente
com Saramago, o Nobel de há dez anos. Um prémio para
o qual Agustina também fora nomeada, sem portanto o receber.
Mas que devia ter recebido. Os seus romances, nomeadamente Vale
Abraão e Um Cão que Sonha já
editados em dinamarquês, são obras-primas da narração,
da arte de contar histórias. Com Bessa-Luís a trama
desenrola-se serenamente ficando o leitor de súbito cativo
de várias crónicas de raiz ou eco português,
o que também acontece na Quinta Essência,
integrando um universo tecido de fios e sedas dos dois hemisférios.
Não esqueçamos que Portugal foi outrora uma grande
potência colonial, sendo este um dos temas do romance.
José
Carlos é o protagonista meticulosamente descrito ao leitor,
que depressa se afaz ao seu carácter e singularidade – nenhum
personagem de Agustina entra directamente em acção,
se tal se pode dizer, sem devida apresentação do seu
carácter e relações familiares, desenvolvendo-se
o próprio enredo num domínio intermédio da
realidade e da ficção onde não raramente somos
iludidos pelo hábil narrador, que constantemente se move
no tempo em todos os sentidos. Um domínio que abrange o encontro
do Ocidente com o Oriente, que Agustina Bessa-Luís descreve
de ambos os lados com elegância e nuance. É nesta atmosfera
que a vida de José Carlos se desenrola, apostando em diversos
papeis a sua facetada identidade dum modo requintado e fatal. Um
livro cuja leitura se impõe não só pela sua
linguagem como pelo seu jogo com a realidade.
Concluindo
devemos destacar a tradução intensa, segura e cuidada,
permitindo ao leitor deliciar-se com o harmonioso rigor que caracteriza
esta versão dinamarquesa.
Edições ØRBY
Agustina Bessa-Luís
Quinta-Essência
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